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Série: Análise e conclusões sobre o movimento pós pentecostal - Parte 1
Quando a fé traz incerteza
(1PE 3:15,16)
(1PE 3:15,16) - Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo.
INTRODUÇÃO
A fé não é algo irracional e ilógico. Baseia-se em algo. Tem uma razão de ser.
Somos cristãos, não à toa, mas porque cremos no sacrifício do Cordeiro e em tudo aquilo que está escrito na Palavra.
Por que a fé pode causar insegurança?
Há um dito popular que afirma: Fé cega, faca amolada.
Fé, acima de tudo, é confiança e submissão. Quando esta se fundamenta em algo que está em desarmonia com a Palavra de Deus, indubitavelmente, causa insegurança. Estive, alguns anos, como pastor em Juazeiro do Norte – CE , lugar conhecido por sua idolatria. Pude contemplar de perto a realidade da incerteza da fé. Apesar deles colocarem o Pe Cícero como sendo uma das pessoas da trindade, esta crença, que deveria lhes dar certeza, na verdade, lhes traz insegurança e, por isso, lancetam seus corpos com objetos pontiagudos, em busca do perdão dos pecados através de atos penitenciais.
Veja a crença hindu que, apesar de ter fé em seus milhòes de deuses, produz uma verdadeira prisão em castas imutáveis, das quais ninguém pode sair. Seu maior conforto no sofrimento é que, na futura reencarnação, eles sofrerão um pouco menos.
Em contrapartida, quando a fé está alinhada com a Palavra de Deus produz uma certeza inabalável, razão pela qual todos os apóstolos do Senhor, sem exceção, foram martirizados. Razão pela qual, até hoje, muitos missionários cristãos são martirizados e o aceitam de bom grado, por terem a certeza produzida pela fé.
Veja os exemplos da certeza da fé, na galeria dos heróis cristãos de Hebreus 11, o capítulo da fé:
(HB 11:32-40) - E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.
Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.
Esta é a verdadeira fé, que é firme para viver e para morrer; tanto é firme para derrotar exércitos, quanto para ser martirizado.
RETRATOS DE UMA DOUTRINA PULVERIZADA
Vemos hoje na igreja evangélica uma tendência teológica, que produz muito mais insegurança e incerteza daquilo que somos no Senhor, do que uma certeza inabalável, apesar de sempre estar pregando certezas.
Nosso objetivo é estudar a teologia das maldições hereditárias, mas, a fim de que possamos compreende-la melhor, precisamos compreender o contexto no qual ela nasceu. Vamos apenas hoje, a título de introdução, nos aprofundar um pouco na história e filosofia. Pode parecer um pouco árido a princípio, mas será de grande valia para que você possa compreender perfeitamente as maldições e a doutrina do poder das palavras e sua completa distância da doutrina cristã.
Afirmamos que esta doutrina é uma grave distorção do cristianismo Bíblico, não tendo raízes no Evangelho, mas no gnosticismo; na Nova Era e nas crenças metafísicas do início do século 20.
Como isto seria possível?
A título de ilustração propomos a analogia da pulverização dos conteúdos e objetivos:
Todas as instituições começam com um objetivo e com o passar do tempo este se pulveriza, porque surge uma nova reflexão, uma nova administração que sequer conheceu os primórdios. Assim aconteceu com uma estratégia evangelística largamente usada na América latina e países da África, desde o início do século, por parte de algumas denominações protestantes, que atraíam pessoas para Cristo através de altos investimentos em escolas e hospitais. Com o passar do tempo, estas instituições permaneceram evangélicas, mas seu objetivo evangelístico foi pulverizado. Hoje são empresas sólidas, geralmente de muito sucesso, certamente beneficiando a comunidade, mas que perdendo sua força missionário-evangelística.
Um outro exemplo da pulverização da razão e do conteúdo são os Fariseus. Este grupo foi criado a partir de um avivamento no terceiro século antes de Cristo. Contudo, com o tempo perderam o sentido de zelo pela palavra e apegaram-se mais às suas próprias tradições, esvaziando seu conteúdo.
Assim também aconteceu com o nascedouro daquilo que hoje conhecemos como Teologia da Confissão positiva, teologia da prosperidade, ou movimento de fé, ou Palavra da Fé. Ela nasceu no vácuo do pentecostalismo, com excelentes intenções. O mundo cristão estava em polvorosa. Deus estava visitando muitos ministérios com curas e, paralelamente a isto, acabava de renascer o movimento pentecostal no mundo. Existiam dois grupos. Os da cura e os que criam no Batismo no Espírito Santo. Contudo, ninguém cria que Deus estava obrigado a fazer nada, mas se curava ou batizava, o fazia como um ato de soberania. Guarde esta sentença porque nela reside o diferencial entre a doutrina cristã e a metafísica.
Veja no quadro abaixo a cronologia do movimento pentecostal, que depois transforma-se em fortes igrejas, sem contudo pulverizar sua essência doutrinária. Hoje as igrejas pentecostais que nasceram como fruto do avivamento na Rua Azuza, são conhecidas como Pentecostalismo Clássico. Entre elas está a Assembléia de Deus, e por conseqüência, a Igreja Betesda, que guarda com zelo a doutrina assembleiana.
A Teologia da Confissão positiva, doutrinariamente falando, nada tem a ver com o Pentecostalismo clássico. É um corpo estranho para nós. Na verdade, seus precursores negavam abertamente o batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas.
Alan B. Pieratt, de maneira muito acertada, diz que:
” Os ensinos da prosperidade não tiveram origem no pentecostalismo. Todavia, a tendência das denominações pentecostais de aceitarem as afirmações de autoridade profética criou um espaço teológico onde a doutrina da prosperidade pode afirmar-se e crescer... Nossa primeira conclusão histórica, diz Pieratt, é que o pentecostalismo foi o portador desta doutrina, mas ela necessariamente não faz parte das crenças pentecostais.”
Confissão Positiva torna-se, em verdade, parte do movimento Neopentecostal que surge nos Estados Unidos no início dos anos 60. Seus ensinos têm relação com as doutrinas da prosperidade .
O Movimento Neopentecostal, principiou-se nas denominações históricas (Batistas, Presbiteriana, etc).
Assim surgem:
As Igrejas Pentecostais Sinais e Prodígios, fundada em 1970;
A Igreja Presbiteriana Renovada, em 1975.
Surgem também as denominações novas, não oriundas de igrejas históricas, mas de líderes hábeis e influentes. Tal é o caso de:
Igreja Deus é amor, fundada por Davi Miranda em 1961, no Brasil.
Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada por Edir macêdo em 1977 no Brasil;
Igreja da Graça, fundada por R.R. Soares.
Todas estas igrejas têm seu fundamento na pulverização teológica promovida por E.W.Kenyon, e depois por Kenneth Hagin, ao misturar o ocultismo das religiões metafísicas com o cristianismo pentecostal, como veremos adiante.
Seu grande e inicial desvio foi ver a oração pelos enfermos, não mais como parte do chamado Evangelho Pleno, mas como uma revelação totalmente nova, dada àqueles que obtivessem o espírito de revelação . Em outras palavras, a cura já não estava mais debaixo da autoridade de Deus, mas de seus pregadores.
VOLTANDO AO INÍCIO DO SÉCULO XX
Todas estas doutrinas: Confissão positiva, Maldições hereditárias, Possessão de crentes, e outras, são evoluções, ou melhor dizendo, distorções que partem de um mesmo ponto original: o equívoco teológico dos movimentos de fé do início do século, que, tal com como os exemplos acima, pulverizaram mais ainda suas doutrinas ao sabor de cada novo líder.
A teologia da Confissão positiva tem o mesmo fascínio do ocultismo, porque consiste em compreender os mecanismos espirituais, com o fim de manipulá-los em benefício próprio.
Como surgiu a Confissão positiva?
1 - Toda doutrina fundamenta-se em um alicerce.
Podemos provar que a Confissão positiva visivelmente alicerça-se nas seitas metafísicas, não apenas pela similaridade da visão que as duas têm do mundo da vida e da espiritualidade, mas há também por provas históricas incontestáveis:
Kenyon foi um pregador metodista, depois Batista, e, por fim, fundou um ministério independente, muito ativo, através do rádio, e de uma vasta literatura, compreendida em 18 volumes e um periódico.
( Se você lê em inglês e deseja conhecer mais dos ensinos de Kenyon, digite http://www.posword.org/articles/kenyon/index.shtml ).
No início do século XX, explodiram por diversas partes as seitas metafísicas, pregando que há um conhecimento superior, capaz de nos delegar autoridade sobre a vida, se soubermos manipulá-lo. Alguns exemplos de seitas metafísicas hoje são a ciência cristã e a Igreja Universal triunfante.
Grandes núcleos de discussão formavam-se nas universidades e assim foi com o Emmerson College, onde Kenyon estudou oratória.
Ele declarou, segundo o depoimento de um amigo seu, crer que a ciência cristã era uma bênção e não uma heresia. Era como se fosse a parte complementar do cristianismo, que estava adormecida nas igrejas históricas.
Disse Kenyon:
“A única coisa que falta à Ciência Cristã é o sangue de Cristo".
Seu amigo testemunhou que ele admitia beber livremente deste poço .
A segunda prova de que a Confisão positiva alicerça-se na Metafísica está na visão exatamente igual que as duas têm da vida.
A metafísica é : Uma tentativa de perceber intuitivamente os fundamentos profundos do cosmos e de tudo o que está para além da física. Daí o nome META: além. FÍSICA: matéria. Esta baseia-se na manipulação de segredos e leis espirituais que governam nosso mundo. Na sua essência, a metafísica é deísta, ou seja, crê que existe um ser superior que ao criar este mundo colocou sobre ele tanto leis físicas quanto espirituais e que para viver bem, o ser humano precisa lidar tanto com uma quanto com outra.
A Teologia da Prosperidade observa a vida também desta maneira
1 – Segundo seus pregadores, dentre os quais o principal é Kenneth Hagin,
há um conhecimento escondido, de leis espirituais, que uma vez manipulado através da revelação e da confissão positiva, torna tudo possível. Para a teologia da prosperidade, Deus não interfere nestes assuntos.
Ele apresenta o texto de Oséias 4:6 para justificar um conhecimento escondido que precisa ser descoberto.
“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento”
Uma destas chaves dantes ocultas e agora reveladas é o poder das palavras.
Citando uma conversa que havia tido com Jesus, em uma visão, Hagin afirma que o Senhor comentou ter sido a confissão positiva da mulher do fluxo de sangue o que a salvou de sua enfermidade.
“ Na minha visão, Jesus disse: Quer seja positivo, quer negativo, depende do indivíduo. De acordo com que o indivíduo diz, assim ele receberá.
Jesus disse: a mulher poderia ter feito uma confissão negativa ao invés de uma confissão positiva... se fossem estas as palavras dela, teria recebido conforme disse”
Note que Hagin afirma categoricamente terem sido as palavras da mulher, e não a misericórdia de Deus, o elemento de cura. Isto implicitamente coloca a confissão positiva como uma lei espiritual que funciona à parte de Deus, tal como as seitas metafísicas pregam.
O que fica implícito é que Deus sequer tem controle do que poderá acontecer: a mulher faz a confissão positiva e rouba, por assim dizer, o poder da cura, ao que Jesus se assusta e exclama: de mim saiu poder.
Veja a mais categórica afirmação esotérica de Hagin:
“Existe um poder, operante na terra hoje em dia, que nem é perigoso e nem é mortífero - um poder bom, um poder que cura, salva e liberta...é como fazer uma ligação em uma tomada elétrica. Se aprendermos como nos ligar com esse poder sobrenatural poderemos deixá-lo trabalhar a nosso favor e poderemos ser curados... Jesus me disse que o poder está presente em todos os lugares. A fé o põe em ação
... agora sabemos o segredo...
Vamos raciocinar um pouco sobre suas afirmações:
1 – Ele diz que este poder está disponível em todos os lugares, tal como a energia.
Este é um pensamento esotérico, como vemos nas palavras da sra. Elizabeth Clare Prophet, da Igreja Universal Triunfante
“Alguns anos antes, eu lera, nos livros de Guy e Edna Ballard, da Atividade Religiosa do " I AM ", a respeito de um método de orar denominado decretos. Decretos são afirmações positivas que usam o nome de Deus, EU SOU O QUE EU SOU.
Ao usar estas afirmações, você pode acessar o poder do seu Eu Superior.”
“Quando você usa a ciência da Palavra falada, está decretando com a autoridade de Deus, e Deus responderá da forma que mais beneficiará a sua alma.”
Note que a essência do decretar ou declarar é a manipulação das forças cósmicas, no mais alto estilo de ocultismo, que constitui-se de conhecer as forças do universo para dominar a vida. Esta é a essência do Rosacrucianismo e também da Teologia da prosperidade. É exatamente neste ponto do poder das palavras que surge a doutrina do poder de amaldiçoar.
O pastor Jorge Tadeu, da Igreja Maná de Portugal, tem sido defensor do poder espiritual das palavras. Ele afirma:
As suas próprias palavras, podem afectar: a sua saúde, o seu casamento, os seus filhos, as suas finanças, etc.
As Palavras têm PODER. Isto é uma Lei Espiritual que funciona a seu favor, ou contra si, quer você acredite, quer não. O facto de você não conhecer a Lei não significa que ela não seja real...
se escolher falar Palavras de Morte terá Maldições; se escolher falar Palavras de Vida, de acordo com a Palavra de Deus, você terá Bençãos.
O QUE FAZER COM AS PALAVRAS NEGATIVAS?
Se, inadvertidamente, proferiu palavras negativas acerca de si, sua família, finanças, etc, o que fazer? Pegue num bloco de notas e numa caneta, e tome nota das frases negativas que você costuma dizer (semear). Em primeiro lugar arrependa-se delas diante de Deus. A seguir anule-as em Nome de Jesus dizendo:
"Eu quebro o poder dessas palavras negativas no Nome de Jesus."
Se, por descuido, as tornar a proferir? Arranque-as, quebrando o seu Poder, outra vez. É o mesmo que arrancar ervas daninhas do meio do jardim.
Isso se parece muito com a Sei-cho-no-iê , nas palavras de Seicho Taniguchi
"Se não agradecermos às dádivas já recebidas de Deus e nos queixarmos procurando apenas aquilo que nos falta, doenças se manifestarão em nosso corpo e carências em nosso dia-a-dia, refletindo essa mentalidade que procura o que falta"
Isto se assemelha também com a Ciência Cristã
“A oração não é petição, mas uma simples afirmação. A oração elevada a um Deus pessoal é um obstáculo e pode levar à tentação. Não se persuade a Deus a fazer mais do que já fez”.
Refutação: Não há um conhecimento de leis espirituais, mas o conhecimento da pessoa de Deus. Deus não está à parte de sua Palavra. Ele a vela para cumpri-la. Em última análise, Deus é que atende ou não à nossa oração, segundo a sua vontade.
2 – A Confissão positiva diz também que na cruz todas as enfermidades foram compulsoriamente curadas e por isso negam a doença.
O cerne da teologia da prosperidade é exatamente igual ao cerne da Ciência Cristã: As duas afrmam que a enfermidade simplesmente inexiste para o cristão.
De acordo com Hagin quando alguém se converte e entra na nova revelação, não mais deve ser afetado por enfermidades.
“ Quando a Bíblia fala no sofrimento, não se refere a enfermidades. Não temos nenhum motivo para sofrermos com enfermidades e doenças, porque Jesus nos redimiu delas”
Note que ele não coloca a cura como uma possibilidade maravilhosa da graça de Deus, mas como um fato já consumado; uma lei espiritual.
Fosse uma lei espiritual, Paulo não teria dito para Timóteo que tomasse um pouco de vinho, a fim de amenizar sua gastrite.
(I Tm 5:23)
“Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades.”
Em II Tm 4:20, Paulo deixou um discípulo doente em Mileto
“Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto.”
Em Gl 4:13-15, Paulo estava enfermo e o tornara-se desprezível, Paulo tinha um sério problema de visão
E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo. Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis.
Contudo, continua Hagin em sua pregação metafísica, que o coloca acima mesmo de Paulo e dos apóstolos do Senhor:
“ A última dor de cabeça que senti foi em agosto de 1933. Não me compreenda mal. Não sou contra os médicos. Dou graças a Deus por eles. A ciência médica ajudará pessoas tanto quanto puder. Se eu tivesse necessidade de ir a um médico nestes últimos cinqüenta anos teria ido- mas nunca foi necessário. Por outro lado, já mandei pessoas aos médicos, paguei contas e comprei os remédios ( muitas vezes, os médicos conseguem manter as pessoas com vida até que possamos colocar dentro delas uma dose suficiente da Palavra para receberem a cura divina total)
Em seu site, quando perguntada sobre como a medicina e a cura pela mente, a ciência cristã afirma basicamente a mesma coisa que Hagin:
O tratamento, através da Christian Science, e o tratamento médico partem de pontos de vista opostos. A Christian Science baseia-se nas leis de Deus, de que toda causa e todo efeito são espirituais. A medicina lida com a matéria, como se esta fosse tanto a causa como o remédio. Procurar curar através de sistemas opostos pode ser injusto para com o paciente e contraproducente em relação à cura
Encontramos este mesmo conceito em um artigo da Seicho-no-ie intitulado de “A seicho-no-ie cura doenças?”, cujo objetivo é explicar como a metafísica pode ajudar na cura das pessoas
O homem é absolutamente perfeito e saudável, pois a doença não existe. Não tem como adoecer porque Deus não criou a doença. Chegando nesse conceito, podemos dizer que conseguimos transcender a matéria, o aspecto aparente e ter certeza de que o homem é isento de doença. A medicina é importante porque neste mundo ainda existem muitas pessoas que manifestam doenças.
3 - Em último lugar, a Teologia da Prosperidade afirma que a riqueza é parte compulsória da conversão.
É bem verdade que Deus deseja a prosperidade de seu povo (como bem está escrito nos salmos 35:27)
“Cantem e alegrem-se os que amam a minha justiça, e digam continuamente: O SENHOR seja engrandecido, o qual ama a prosperidade dos seus servos.”
Contudo, o erro desta doutrina é tornar a prosperidade uma lei; um direito adquirido, bem como creditar que a prosperidade Bíblica é sinônimo apenas de riqueza material. Ora existem muitos ricos que não são prósperos, porque suas famílias estão naufragadas e eles mesmos estão existencialmente destroçados. Em contrapartida existem muitos pobres prósperos, que têm o suficiente para viver e em cujas famílias enxergamos contentamento, paz e felicidade.
Hagin afirma:
“ Muitos crentes confundem humildade com pobreza. Um pregador, certa vez, me disse que fulano possuía humildade, porque andava num carro muito velho. Repliquei: Isso não é ser humilde. Isso é ser ignorante...
...Não era a intenção de Deus que vivêssemos em pobreza. Ele disse que era para reinarmos em vida como reis. Quem jamais imaginaria um rei vivendo em estrita pobreza? A idéia de pobreza simplesmente não combina com reis ”
http://www.csjournal.com/GV/QANDA/Portuguese/QAPortuguese.html
http://www.seicho-no-ie.org.br/sni2/index.htm
Hagin, Kenneth – A autoridade do crente, página 48
Veja este mesmo ensino, em uma versão metafísica, de acordo com Mark L. Prophet, da Igreja universal Triunfante
Na Bíblia, o Apóstolo João diz: “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma”.
“Prosperidade é abundância. O Senhor Cristo disse, quando ensinava na Judéia: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”. Às vezes temos o hábito de interpretar erroneamente as intenções dos mestres, mesmo sem querer, provocando uma ruptura ou mesmo negando a intenção da Divindade”.
RESUMINDO A CONFISSÃO POSITIVA
Há um tripé doutrinário
1 – As palavras têm poderes espirituais
2 – A conversão traz obrigatoriamente saúde e dinheiro ao convertido
3 – O crente tem autoridade sobre todas as coisas de Deus.
CONCLUSÃO:
você sabe qual o fundamento e sua fé?
Todas as conquistas de Jesus na cruz por nós, seja saúde, prosperidade, paz, etc, não são um direito, mas um benefício que Ele concede de acordo com sua soberania, de acordo com nossa maturidade. Se Deus percebe que o dinheiro facilmente desviará nosso coração para a perdição, com certeza nos dará recursos financeiros a conta-gotas, de acordo com nossa capacidade de suportar e com nossas reais necessidades. Ele fará assim por mais que declaremos e reivindiquemos nossos “direitos”.
Esta pulverização de conceitos continua a acontecer nos nossos dias. Esta mesma tendência de doutrinas estranhas, que acabam sendo aceitas, está hoje presente nos jardins de oração. Na verdade, foi em situações muito semelhantes que nasceu a doutrina da prosperidade, quando não havia uma submissão às lideranças, e o povo fazia o que bem entendia, seguindo pessoas que reivindicavam para si autoridade profética. A mais recente destas doutrinas estranhas é a possessão demoníaca de crentes.
(1PE 3:15,16) - Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo.
Qual o centro da teologia cristã?
1 – A soberania de Deus.
A razão da minha esperança não está no fato de ter um conhecimento sobre leis espirituais as quais deus deixou para que eu tateando as manipulasse. A razão de minha esperança está no fato de Deus cuidar de mim
2 – A morte vicária de cristo
Esta morte nos traz possibilidades e privilégios, mas nunca direito de exigir nada. Continuamos a confiar na misericórdia e graça e Deus.
3 – A capacitação sobrenatural do espírito Santo
O espírito santo nos capacita a vivermos sobrenaturalmente, mas sempre seu objetivo é formar nosso caráter à imagem do de Cristo. Jamais a bênçào de Deus estará dissociada do caráter.
4 – A total entrega do homem, tornando-se cristão integral, comprometido com Deus e pronto para servi-lo em qualquer situação
Precisamos rejeitar todo o esoterismo neopentecostal e nos comprometermos com Cristo, como sendo nosso principal compromisso. O reino dos Céus é uma pérola de grande valor que um homem ao achar vendeu tudo quanto tinha para poder adquiri-la.
Série: Análise e conclusões sobre o movimento pós pentecostal - Parte 2
CADEIAS DE MALDIÇÃO:
O epicentro da Insegurança.
Já vimos que a doutrina esotérica do poder das palavras é o pano de fundo para a Confissão positiva. As maldições são também um reflexo deste ensino, posto que, segundo se crê, aquilo que você confessa com sua boca é capaz de produzir uma realidade no mundo físico, razão pela qual o Pr. Jorge Tadeu, da Igreja portuguesa “Maná”diz:
Use a sua boca e semeie a palavra de Deus na sua vida
Para suas finanças:
- Sou Próspero, sou Rico
- Jesus foi feito Pobre para que eu fosse Rico
- Tenho sempre Todas as minhas necessidades supridas por
Deus
- As Bênçãos andam atrás de mim e me estão a alcançar.
O que é maldição?
Falando de maneira corrente e popular, de acordo com a orientação esotérica é o ato de imprecar sobre alguém uma praga ou juízo. Este conceito está muito arraigado no ideário popular, de tal maneira que sobre maldição o Dicionário Aurélio diz:
"Ato ou efeito de amaldiçoar ou maldizer". Maldizer: "praguejar contra; amaldiçoar". Maldito: "Diz-se daquele ou daquilo a que se lançou maldição".
Falando de maneira Bíblica, percebemos que há um contexto completamente diferente.
No mundo, maldição é uma praga que, por causa do poder das palavras, se cumpre na vida do amaldiçoado.
Na Bíblia, maldição é um juízo de Deus contra o pecado. Não há como amaldiçoar a quem Deus não amaldiçoou.
Existem dois pensamentos que ocupam o centro da Doutrina das maldições. O primeiro é o pensamento de que suas palavras têm o poder de amaldiçoar e, portanto deve ser quebrado o poder de tudo o que dizemos de forma negativa.
O segundo pensamento é que a maldição tem seu poder a partir de um direito legal que algum antepassado delegou a Satanás, sobre toda as suas gerações, através de alguma prática pecaminosa.
Em relação ao primeiro, fizemos uma pesquisa por toda a Bíblia e extraímos o vocábulo “Maldição”.
Assim como na semana passada mergulhamos no aspecto histórico e filosófico, hoje estaremos nos aprofundando na palavra de Deus, avaliando os versículos Bíblicos por ordem cronológica e verificando o que de fato está por trás da palavra Maldição.
A fim de trazermos segurança no que diz respeito a esta doutrina pesquisamos por toda a Bíblia anotando todas as referências que aludem à questão das maldições. Logo percebemos que a esmagadora maioria das referências que trazem as palavras maldição ou amaldiçoado, dizem respeito a Deus como seu agente. O texto relativo ao homem, não nos autoriza a dizer que as imprecações estão ligadas ao poder das palavras e nem que estas se cumpriram. Desta forma classificamos todas as referências bíblicas deste assunto com o seguinte critério:
1 – Referências relativas a Deus como agente da maldição
2 – Referências alusivas ao homem como agente da maldição (nas quais descobrimos que as maldiçoes imprecadas pelos homens tinham que ter a anuência divina e que a maioria delas não tiveram)
I - REFERÊNCIAS RELATIVAS A DEUS COMO AGENTE DA MALDIÇÃO
1 – Em GN 3:17 está escrita a primeira maldição registrada na Bíblia.
É um juízo de Deus contra o pecado do homem. Vem de Deus e não do Diabo. É o estabelecimento de um estado de coisas neste universo.
"E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida”.
2 – Em Gn 27:12 Jacó associa a maldição com a desaprovação de Deus
"Porventura me apalpará o meu pai, e serei aos seus olhos como enganador; assim trarei eu sobre mim maldição, e não bênção”.
3 – Em NM 5:18 a água amaldiçoante é também um juízo Deus pela mentira da adúltera.
A água só tinha poder na medida em que Deus lançava sobre ela seu juízo, tal como a serpente de bronze, levantada no deserto, para a qual todos os que olhavam saravam de suas enfermidades.
"Então o sacerdote apresentará a mulher perante o SENHOR, e descobrirá a cabeça da mulher; e a oferta memorativa, que é a oferta por ciúmes, porá sobre as suas mãos, e a água amarga, que traz consigo a maldição, estará na mão do sacerdote”.
(NM 5:21) "Então o sacerdote fará jurar à mulher, com o juramento da maldição; e o sacerdote dirá à mulher: O SENHOR te ponha por maldição e por praga no meio do teu povo, fazendo-te o SENHOR consumir a tua coxa e inchar o teu ventre”.
(NM 5:27) "E, havendo-lhe dado a beber aquela água, será que, se ela se tiver contaminado, e contra seu marido tiver transgredido, a água amaldiçoante entrará nela para amargura, e o seu ventre se inchará, e consumirá a sua coxa; e aquela mulher será por maldição no meio do seu povo”.
4 – Em Deut 11:26,28 Deus coloca a vida e a bênção ou a morte e a maldição, como opções para o homem em relação à sua permanência ou não junto de dEle e seu plano.
(DT 11:26) "Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição”;
(DT 11:28) "Porém a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do
SENHOR vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes."
5 – Em DT 23:5 quando Balaão tenta amaldiçoar Israel, é em Deus que está a decisão: amaldiçoar ou não. Este texto mostra que não é o poder das palavras, mas a decisão de Deus.
"Porém o SENHOR teu Deus não quis ouvir Balaão; antes o SENHOR teu Deus trocou em bênção a maldição; porquanto o SENHOR teu Deus te amava”.
6 – Quem manda a maldição é Deus, de acordo com a desobediência de Israel. O presente texto é relativo às maldições e bênçãos sobre o monte Gerisim e Ebal. Note que o poder de amaldiçoar não está na imprecação do sacerdote, mas na reação divina mediante a desobediência.
(DT 28:20) "O SENHOR mandará sobre ti a maldição; a confusão e a derrota em tudo em que puseres a mão para fazer; até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste”.
DT 29:19) "E aconteça que, alguém ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande conforme o parecer do meu coração; para acrescentar à sede a bebedeira."
(DT 29:20) "O SENHOR não lhe quererá perdoar; mas fumegará a ira do SENHOR e o seu zelo contra esse homem, e toda a maldição escrita neste livro pousará sobre ele; e o SENHOR apagará o seu nome de debaixo do céu”.
Estas maldições e bênçãos foram proferidas dos montes Gerisim e Ebal, como um estatuto que deveria ser repetido sempre, mostrando ao povo o caminho da bênção e da maldição. A figura dos dois montes é extremamente didática: Um é o da bênção e outro da maldição. Cada vez que um Israelita passava por um deles, lembrava-se das palavras, assim como ao passar pelo Jordão, vendo as pedras edificando um altar, lembravam-se da travessia milagrosa do Jordão e da aliança de Deus.
Em Daniel vemos o cumprimento daquilo que temos dito: O povo foi amaldiçoado por não obedecer.
(DN 9:11) "Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele”.
7 – Em DT 29:27 a maldição vem de Deus e é descrita como sendo um juízo previamente escrito:
"Por isso a ira do SENHOR se acendeu contra esta terra, para trazer sobre ela toda a maldição que está escrita neste livro”.
8 –Deuteronômio 29:24-27 nos revela que sempre a bênção estará ligada à obediência e a maldição à desobediência
(DT 29:24) "E todas as nações dirão: Por que fez o SENHOR assim com esta terra? Qual foi a causa do furor desta tão grande ira?”.
(DT 29:25) "Então se dirá: Porquanto deixaram a aliança do SENHOR Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito”;
(DT 29:27) "Por isso a ira do SENHOR se acendeu contra esta terra, para trazer sobre ela toda a maldição que está escrita neste livro”.
(DT 29:29) "As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.
9 – Maldição ou bênção são frutos divinos que o homem escolhe comer.
Maldição ou bênção são dois caminhos diferentes propostos a nós. Maldição ou bênção, de forma tipológica, nos leva novamente ao Éden, sendo a maldição de Deus tipificada na árvore da sabedoria do bem e do mal e a bênção tipificada na árvore da vida.
Tanto a maldição ou bênção não são intermitentes na vida de um ser humano, mas constante. São caminhos a escolher e trilhar. Isto implica que quem escolhe o caminho da bênção não pode ser amaldiçoado, porque sobre ele está a bênção de Deus. O contrário também é verdadeiro.
(DT 30:1) "E SERÁ que, sobrevindo-te todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que tenho posto diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações, para onde te lançar o SENHOR teu Deus”,
(DT 30:19) "Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”,
10 - Novamente Josué repete a leitura das bênçãos e maldições, não como uma imprecação, mas como ritual.
(JS 8:34) "E depois leu em alta voz todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, conforme a tudo o que está escrito no livro da lei”.
11- Todos os demais textos do Antigo Testamento referem-se a Deus como o causador e detentor do poder de amaldiçoar. Jamais o ser humano. 2RS 22:19; NE 13:2; 2RS 22; 2CR 6:2; NE 13:2; JÓ 31:3; SL 109:1; SL 109:1; PV 3:33; PV 26:2; PV 27:1; IS 24:6; IS 65:15; JR 23:10; JR 24:9; JR 25:18;JR 26:6; JR 29:18; JR 29:22; JR 42:18; JR 44:8; JR 4:12; JR 44:22; JR 49:13; LM 3:65; DN 9:11; ZC 5:3; ZC 8:13; ML 2:2; ML 3:9; ML 4:6.
Já observamos quase todas as referências do Antigo testamento que fazem alusão sobre o assunto e, de maneira alguma, nos sentimos autorizados a dizer que as palavras têm o poder de amaldiçoar. Lendo alguns livros dos pregadores da maldição pudemos também constatar que há uma interpretação tendenciosa e forçosa, bem como o uso de uma hermenêutica deficiente. Como por exemplo, defendendo o direito legal que satanás tem de agir em nossas vidas quando desobedecemos a Deus, Rebeca Brown, em seu livro “Maldições não quebradas” cita Josué 7:10-12 na tentativa de provar que o Diabo pode roubar a bênção dos filhos de Deus, pelo fato de Acã ter desobedecido .
Se observarmos o texto veremos que o diabo nada tem a ver com a decisão de atacar e derrotar o exército de Israel, mas o próprio Deus é que toma a decisão de condená-los por ter desobediência no meio do povo.
( Josué 7:12) “ Pelo que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos; viraram as costas diante deles, porquanto Israel se fizera condenado; já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a coisa roubada”.
Há um segundo grupo de referências que pode ser classificado na Bíblia, sobre o assunto das maldições.
II - REFERÊNCIAS RELATIVAS AO HOMEM COMO AGENTE DA MALDIÇÃO
1 – Os sacerdotes sobre os montes Ebal e Gerisim
Este episódio é muito usado pelos pregadores da maldição, com o propósito de autenticar o poder da imprecação. Contudo, o presente texto não indica que as maldições estavam sendo imprecadas pelos sacerdotes, mas que o juízo de Deus estava sendo esboçado diante do povo que deveria fazer uma escolha
(DT 11:29) "E será que, quando o SENHOR teu Deus te introduzir na terra, a que vais para possuí-la, então pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal”.
Lido isoladamente até pode aparentar que o centro deste episódio é a imprecação dos sacerdotes. Contudo em uma olhada mais profunda percebemos que existe todo um contexto por trás deste versículo.
Antes dele, ainda no capítulo 11, Deus salienta os benefícios da obediência.
(DT 11:13) "E será que, se diligentemente obedecerdes a meus mandamentos, que hoje vos ordeno, de amar ao SENHOR, vosso Deus, e de o servir de todo o vosso coração e de toda a vossa alma”,
(DT 11:14) "Então darei a chuva da vossa terra a seu tempo, a temporã e a serôdia, para que recolhais o vosso grão, e o vosso mosto e o vosso azeite."
Depois, exorta que se ensine a obediência aos filhos:
(DT 11:19) "E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te”;
Nos versos 26 e 27 Deus faz duas propostas:
1 - para que o homem possa escolher viver debaixo da sua benção,
através da obediência, ou,
2 - da sua maldição, através da desobediência.
(DT 11:26) "Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição”;
(DT 11:27) "A bênção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR vosso Deus, que hoje vos mando”;
(DT 11:28) "Porém a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do SENHOR vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes”.
(DT 11:29) "E será que, quando o SENHOR teu Deus te introduzir na terra, a que vais para possuí-la, então pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal”.
(DT 11:32) "Tende, pois, cuidado em cumprir todos os estatutos e os juízos, que eu hoje vos proponho”.
Do capítulo 12:1 até o 26:19, Deus está propondo diversas leis para a obediência, a fim de que o povo viva debaixo de sua bênção e não de sua maldição.
Por fim, no capítulo 27, há um momento solene no qual são lidas as maldições, sobre o monte Ebal, e bênçãos sobre o monte Gerisim, como sendo o caminho para atingir a cada um destes estágios.
Diante do que foi exposto, a maldição está ligada ao poder das palavras dos sacerdotes, como uma imprecação, ou está ligada ao juízo de Deus, decorrente da desobediência do povo?
2 – a maldição de Jotão.
Esta é a única alusão à maldição imprecada por homens tendo cumprimento
(JZ 9:57) "Como também todo o mal dos homens de Siquém fez tornar sobre a cabeça deles; e a maldição de Jotão, filho de Jerubaal, veio sobre eles”.
Contudo, se olharmos com cuidado, veremos que esta maldição, na verdade, veio de Deus, tendo também sido Ele seu executor. Não foi o poder das palavras de Jotão, mas sim o juízo de Deus que é na verdade o autor e consumador desta maldição, como se vê adiante.
Afirmamos que a origem desta maldição está em Deus. Veja como tudo começa:
Abimeleque
Em reação a isto, Jotão sobe no monte Gerisim e declara, não sua palavra, mas um juízo de Deus contra Abimeleque.
(JZ 9:7) "E, dizendo-o a Jotão, foi e pôs-se no cume do monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou e disse-lhes: Ouvi-me, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós”;
Note como ele se sente com a autoridade divina para declarar: “Ouvi-me, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós”;
A maldição de Jotão: um juízo que vem DE DEUS sobre Abimeleque.
Deus continua com suas mãos estendidas em maldição sobre Abimeleque, mesmo após três anos.
(JZ 9:23) "Enviou Deus um mau espírito entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém; e estes se houveram aleivosamente contra Abimeleque”;
(JZ 9:24) "Para que a violência feita aos setenta filhos de Jerubaal viesse, e o seu sangue caísse sobre Abimeleque, seu irmão, que os matara, e sobre os cidadãos de Siquém, que fortaleceram as mãos dele para matar a seus irmãos”;
Finalmente, a maldição de Jotão se cumpre, não por causa do Diabo, como um ser incontrolável, e nem pelo poder espiritual das palavras de Jotão. Esta maldição se cumpre por Deus, porque foi nele que começou. (Atente especialmente ao início do verso 56)
(JZ 9:55) "Vendo, pois, os homens de Israel que Abimeleque já era morto, foram-se cada um para o seu lugar”.
(JZ 9:56) "Assim Deus fez tornar sobre Abimeleque o mal que tinha feito a seu pai, matando a seus setenta irmãos”.
(JZ 9:57) "Como também todo o mal dos homens de Siquém fez tornar sobre a cabeça deles; e a maldição de Jotão, filho de Jerubaal, veio sobre eles”.
Concluindo, o poder da maldição está em Deus e nunca nas palavras do homem, ou mesmo no diabo.
3 – Novamente a idéia de Deus controlando nossa vida. Ninguém pode amaldiçoar o que Deus abençoou.
(2SM 16:12) "Porventura o SENHOR olhará para a minha miséria; e o SENHOR me pagará com bem a sua maldição deste dia”.
4 – Juramento de maldição é semelhante ao juramento que muitos fazem ao dizer: “Eu quero que minha mãe morra, se não fizer assim” É o mesmo que o jurar sob pena de anátema proferido pelos perseguidores de Paulo em Atos 23:14.
(1RS 8:31) "Quando alguém pecar contra o seu próximo, e puserem sobre ele juramento de maldição, fazendo-o jurar, e vier juramento de maldição diante do teu altar nesta casa”.
(1RS 8:32) "Ouve tu, então, nos céus e age e julga a teus servos, condenando ao injusto, fazendo recair o seu proceder sobre a sua cabeça, e justificando ao justo, rendendo-lhe segundo a sua justiça”.
AT 23:14) "E estes foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo."
(JÓ 31:30) "(Também não deixei pecar a minha boca, desejando a sua morte com maldição)”;
Concluindo: Deus em sua sabedoria não permitiu ao homem pecador um poder tão intenso. Imagine o que aconteceria a uma família na qual marido e mulher se divorciam de maneira trágica e litigiosa, onde um sai amaldiçoando e desejando o pior para o outro, ou imagine a tragédia que seria se as palavras tivessem o poder de amaldiçoar.
Podemos a partir deste ponto até onde caminhamos, observar três tipos de maldição na Bíblia:
1 – A cósmica, circunstancial - situação na qual este mundo se encontra, cujo prêmio é o inferno e a morte.
(PV 3:33) "A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio, mas a habitação dos justos abençoará”.
(JR 23:10) "Porque a terra está cheia de adúlteros, e a terra chora por causa da maldição; os pastos do deserto se secam; porque a sua carreira é má, e a sua força não é reta”.
(JO 3:18) "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.
(RM 8:20) "Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou”,
(RM 8:21) "Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.
(RM 8:22) "Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora”.
(RM 8:23) "E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”.
2 – A do juízo de Deus. É quando, apesar do estado de maldição do mundo, Deus delibera uma ação de juízo sobre alguém ou alguma nação, conforme vimos.
3 – A do homem, sendo que esta última é apenas o desejo humano desprovido de poder espiritual, posto que a maldição sem causa não se cumpre.
Pesquisamos também o vocábulo “Amaldiçoado” e verificamos igualmente que estão sempre em conexão com Deus.
Vamos analisar então alguns casos de aparente exceção. O primeiro deles é o já mencionado caso em que Balaque contrata Balaão para amaldiçoar Israel.
Este episódio não pode montar uma doutrina, porque é um relato histórico e não o desenvolvimento de um conceito teológico. Veja a diferença, comparando este texto com os versículos da carta de Paulo aos romanos, entre um relato histórico e um texto teológico.
As palavras de balaque não podem ser tomadas como doutrina, pois este sequer era judeu. Sua crença era mística e não judaica.
(NM 22:6) "Vem, pois, agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; talvez o poderei ferir e lançar fora da terra; porque eu sei que a quem tu abençoares será abençoado, e a quem tu amaldiçoares será amaldiçoado”.
A grande prova de que esta afirmação de Balaque pertence à sua cultura mística e não aos conceitos da Bíblia está no fato de Balaão não ter podido cumprir a sua expectativa. Assim sendo, Balaque estava equivocado ao dizer que a quem Balaão desejasse amaldiçoar, este seria maldito.
Simei amaldiçoa a Davi
(2SM 16:5) "E, chegando o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera, e, saindo, ia amaldiçoando”.
(2SM 16:6) "E atirava pedras contra Davi, e contra todos os servos do rei Davi; ainda que todo o povo e todos os valentes iam à sua direita e à sua esquerda”.
(2SM 16:7) "E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sai, sai, homem de sangue, e homem de Belial”.
(2SM 16:8) "O SENHOR te deu agora a paga de todo o sangue da casa de Saul, em cujo lugar tens reinado; já deu o SENHOR o reino na mão de Absalão teu filho; e eis-te agora na tua desgraça, porque és um homem de sangue”.
No verso nove, Abisai pede a Davi autorização para matar Simei. Na resposta de Davi, vemos mais uma vez que a maldição está nas mãos de Deus.
(2SM 16:10) "Disse, porém, o rei: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia? Ora, deixai-o amaldiçoar; pois o SENHOR lhe disse: Amaldiçoa a Davi; quem, pois diria: Por que assim fizeste?"
(2SM 16:11) "Disse mais Davi a Abisai, e a todos os seus servos: Eis que meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura a minha morte; quanto mais ainda este benjamita? Deixai-o, que amaldiçoe; porque o SENHOR lho disse”.
(2SM 16:12) "Porventura o SENHOR olhará para a minha miséria; e o SENHOR me pagará com bem a sua maldição deste dia”.
As palavras de Davi são claras: Deixai-o, pois o Senhor lhe disse: amaldiçoa Davi. Indicam que este não temia as palavras dos homens, mas OS DECRETOS DE DEUS, PROFETIZADOS pelo homem.
Note que no conceito de Davi e, portanto, no conceito de seu povo, está em Deus o poder de amaldiçoar, e não no homem, tanto que Davi confia que, em sua misericórdia, Deus lhe fará o bem ao final.
II - Conhecendo o significado original da palavra maldição
Uma vez que temos determinado haver uma impactante e profunda diferença entre a teologia Bíblica e a teologia evangélica das maldições, resta-nos conhecer as circunstâncias nas quais Deus as usa (O novo Dic da Bíblia 987)
A palavra amaldiçoar tem mais de um sentido:
1 - Significa desejar o mal de outrem, ainda que, como já vimos anteriormente, não tenha efeito algum, mas é uma expressão amarga da alma. Isto é traduzido da palavra hebraica
2 – Amaldiçoar também significa falar mal; detratar.
Isto fica evidente pelo fato de ninguém poder amaldiçoar a Deus, no sentido místico da palavra, mas pode-se - apesar da insanidade - falar mal dele, em blasfêmias ou calúnias.
(JÓ 1:5) "Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Talvez pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente”.
(LV 24:15) "E aos filhos de Israel falarás, dizendo: Qualquer que amaldiçoar o seu Deus levará sobre si o seu pecado”.
(ÊX 22:28) "A Deus não amaldiçoarás, e o príncipe dentre o teu povo não maldirás”.
Há um curioso fato, no que se refere a esta mesma palavra em hebraico e grego. No texto acima está escrito:
“Não amaldiçoarás um príncipe de teu povo”.
Contudo, quando Paulo está diante do sinédrio, e diz coisas abusivas ao sumo sacerdote (sem saber quem este era), a mesma palavra maldição é traduzida por falar mal.
(AT 23:2) "Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca”.
(AT 23:3) "Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada; tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir?”.
(AT 23:4) "E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus?”.
(AT 23:5) "E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo”.
Segundo O Novo Dicionário da Bíblia, “Quando Deus pronuncia uma maldição, essa é em primeiro lugar uma denúncia contra o pecado”.
NM 5:21) "Então o sacerdote fará jurar à mulher com o
juramento da maldição; e o sacerdote dirá à mulher: O SENHOR te ponha por maldição e por praga no meio do teu povo, fazendo-te o SENHOR consumir a tua coxa e inchar o teu ventre."
(NM 5:23) "Depois o sacerdote escreverá estas mesmas maldições num livro, e com a água amarga as apagará”.
(DT 29:19) "E aconteça que, alguém ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande conforme o parecer do meu coração; para acrescentar à sede a bebedeira”.
(DT 29:20) "O SENHOR não lhe quererá perdoar; mas fumegará a ira do SENHOR e o seu zelo contra esse homem, e toda a maldição escrita neste livro pousará sobre ele; e o SENHOR apagará o seu nome de debaixo do céu”.
Em segundo lugar, a maldição é o julgamento de Deus contra o pecado.
(NM 5:22) "E esta água amaldiçoante entre nas tuas entranhas, para te fazer inchar o ventre, e te fazer consumir a coxa. Então a mulher dirá: Amém, Amém”.
(NM 5:24) "E a água amarga, amaldiçoante, dará a beber à mulher, e a água amaldiçoante entrará nela para amargurar”.
(NM 5:27) "E, havendo-lhe dado a beber aquela água, será que, se ela se tiver contaminado, e contra seu marido tiver transgredido, a água amaldiçoante entrará nela para amargura, e o seu ventre se inchará, e consumirá a sua coxa; e aquela mulher será por maldição no meio do seu povo”.
(IS 24:5) "Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna”.
(IS 24:6) "Por isso a maldição tem consumido a terra; e os que habitam nela são desolados; por isso são queimados os moradores da terra, e poucos homens restam”.
Em terceiro lugar, a pessoa que está sofrendo as conseqüências do pecado, por motivo do julgamento de Deus, é chamada de maldição.
(NM 5:21) "Então o sacerdote fará jurar à mulher com o juramento da maldição; e o sacerdote dirá à mulher: O SENHOR te ponha por maldição e por praga no meio do teu povo, fazendo-te o SENHOR consumir a tua coxa e inchar o teu ventre”.
(NM 5:27) "E, havendo-lhe dado a beber aquela água, será que, se ela se tiver contaminado, e contra seu marido tiver transgredido, a água amaldiçoante entrará nela para amargura, o seu ventre se inchará, e consumirá a sua coxa; e aquela mulher será por maldição no meio do seu povo”.
Neste sentido então compreendemos melhor porque o texto de Gálatas 3.13:
"Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro".
II - UM FATO INTERESSANTE: A maldição é uma teologia pertinente ao período do antigo testamento.
Todas as referências neotestamentárias da palavra maldição ou maldito que encontramos são positivas. A razão disto é que Deus quebrou completamente o escrito de dívida, o qual nos era prejudicial:
(AT 23:14) "E estes foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo”.
(AT 23:21) "Mas tu não os creias; porque mais de quarenta homens de entre eles lhe andam armando ciladas: os quais se obrigaram, sob pena de maldição, a não comerem, nem beberem até que o tenham morto: e já estão apercebidos, esperando de ti promessa”.
(RM 3:14) "Cuja boca está cheia de maldição e amargura”.
Este texto refere-se à murmuração.
(GL 3:10) "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei, estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”.
(GL 3:13) "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro”;
(HB 6:8) "Mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada”.
(TG 3:10) "De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim”.
(2PE 2:14) "Tendo os olhos cheios de adultério, e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição”;
(JD 1:9) "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda”.
(AP 22:3) "E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão”.
CONCLUINDO:
Há uma falha muito grande na teologia das maldições. Para tentar prova-la é necessário um grande esforço e muitos argumentos, a fim de fazer com que a Bíblia diga o que de fato não está dizendo. Por isso os estudiosos das maldições, em geral, fazem uma interpretação tipológica do antigo testamento para alicerçar suas doutrinas. Ora, a interpretação tipológica não pode ser um aferidor teológico. Não se usam casos para tentar provar doutrinas e sim princípios claramente esboçados. Além do mais, já que estamos na Nova Aliança, precisamos ver o que esta diz sobre o assunto e o que esta diz é completamente contrário à doutrina das maldições e do poder da palavra.
Temos afirmado que a maldição vem do próprio Deus, quando este amaldiçoa a terra por causa do pecado. Então todas as coisas estão debaixo de maldição, na velha aliança. A lei é o estatuto da própria maldição de Deus, pois sendo ela perfeita, julga o homem pecador.
Entretanto, na Nova aliança, somos resgatados e abençoados por Deus.
(Gálatas 3.13) "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro".
(Jo 5.24) "Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, ma já passou da morte para a vida".
(Jo 3:18) "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.
(Rm 8.1) "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".
Não estamos sujeitos às maldições porquanto somos luz
(1PE 2:9) "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”;
(Col 2:14,15) “e havendo riscado o escrito da dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz" e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz ““.
Não há mais maldição para aquele que está em Cristo porque Ele recebeu a condenação de nossa maldição em si mesmo, tornando-nos justos para Deus.
O sacrifício de Cristo remonta todo o cenário do éden e leva-nos de volta à Árvore da Vida: Jesus.
Série: Análise e conclusões sobre o movimento pós pentecostal - Parte 3
MALDIÇÕES DE FAMÍLIA
INTRODUÇÃO
Completando este ciclo de estudos sobre o misticismo secular no meio do povo de Deus, temos as Maldições de família, que consistem em um ataque de demônios a uma determinada família, baseado em um direito.
Já vimos que o Diabo não tem maldição para dar e que ele mesmo está debaixo da maldição; que maldição diz respeito principalmente a Deus, sendo ele mesmo seu controlador.
Vamos a seguir estudar o que são as maldições de família e seus fundamentos.
Antes, vejamos algumas considerações primárias
Primeira consideração primária:
Por que este ensino é tão envolvente?
Por duas razões:
A primeira é que todos desejamos encontrar um culpado para nossos problemas, que não sejamos nós.
Certa vez, um homem, freqüentador de igreja abusou de uma criança e ao ser descoberto disse ” Há um demônio que habita em mim. Eu sou um monstro”. Com isso, boa parte de sua responsabilidade transferiu-se para o reino espiritual e não para sua responsabilidade moral. Assim é que se torna mais fácil colocar a culpa de nosso fracasso, como pais, nos demônios familiares; bem como nossa inaptidão em qualquer área da vida.
A segunda razão de ser tão envolvente este ensino.
Há uma máxima que diz: ” Contra fatos não há argumentos”. É baseado neste princípio que o ensino torna-se envolvente. Os autores sempre citam muitos testemunhos e o leitor acaba dizendo: Contra fatos não há argumentos. Este dito é muito correto no que tange às coisas humanas; a questões de culpabilidade de outros, de julgamentos forenses etc. Entretanto, Biblicamente falando, contra fatos existem argumentos sim: os argumentos da verdade de Deus, que norteiam a vida muito mais que os fatos. A regra de número quatro, do livro “Princípios de interpretação da Bíblia, escrito por Walter Enrichsen diz literalmente:
“Interprete a experiência pessoal à luz da escritura, e não a Escritura à luz da experiência pessoal”
As experiências da vida não podem servir de base para formularmos qualquer doutrina. Imagine se tivéssemos este hábito de formar doutrinas em cima das experiências pessoais, que confusão teríamos. Para que se tenha uma idéia, nem em cima dos fatos da própria Bíblia podemos formar uma doutrina, mas somente em cima das ordens e princípios claramente esboçados em todo o conjunto da Escritura.
No entanto, é em cima principalmente de testemunhos e de textos bíblicos mal aplicados que se fundamentam tais doutrinas. Veja, como exemplo, o caso de um livro de Rebbeca Brown. Ele dá a impressão, apesar de não ter a intenção, de que quem manda neste mundo é o diabo e de que as portas do inferno prevalecem contra a igreja.
“Algumas igrejas são gravemente oprimidas por maldições sobre o terreno em que foram construídas ou por maldições lançadas diretamente sobre seu edifício”
E eu pergunto: Se uma igreja pode ser oprimida por uma maldição, onde está Deus, que é o verdadeiro responsável pela igreja, tendo prometido que estaria conosco todos os dias?
“Soubemos - continua Rebbeca- , de duas igrejas que compraram os prédios que tinham sido antes construídos para serem lojas maçônicas. Nenhuma destas duas igrejas conseguiu prosperar. Na verdade, essas duas congregações foram destruídas e dispersas dentro de dois ou três anos”
Ela está interpretando a Bíblia de acordo com experiências. É a visão dela. Isto é um verdadeiro absurdo. Primeiro, porque na América do Norte e Europa, a coisa mais fácil que tem é o fechamento de igrejas. Conversando com um amigo que havia morado em Londres, este me disse que imóveis de igrejas históricas não raramente tornam-se cinemas, ou são derrubados para a construção de grandes edifícios. Das duas uma: Ou dizemos que a América e Europa estão frias e materialistas, tendo deixado de ser celeiro de missionários para se tornarem Campo missionário, ou dizemos que Deus as desprezou nas mãos do Diabo, que domina aquelas nações. Não cabe o conceito da Soberania de Deus junto da autonomia do Diabo sobre a Igreja.
Ora, o mais básico ritual que existe na inauguração de uma igreja é sua dedicação a Deus. Segundo as palavras de Rebbeca, isto não é suficiente: quem manda mesmo neste mundo é o Diabo e Deus precisa de uma força, através de nossa oração, a fim de que possa vencer as forças malignas - o que constitui uma hipótese absurda.
Segunda consideração primária:
Em que se baseiam estes ensinos?
Em uma hermenêutica deficiente.
Como temos afirmado, a hermenêutica desta teologia é extremamente ineficiente. Para se formar esta doutrina, seus autores recorrem a exemplos cotidianos e bíblicos, interpretando-os de acordo com sua necessidade.
Veja o que a hermenêutica tem a dizer sobre o uso de fatos e exemplos Bíblicos:
Regra 5
“Os exemplos bíblicos só tem autoridade quando amparados por uma ordem”
Enrichsen continua, explicando este enunciado:
“Suponhamos que você esteja lendo o Evangelho de Marcos e faça uma pausa para meditar neste relato: “E tendo-se levantado alta madrugada, saiu [Jesus], foi para um lugar deserto e ali orava” ( Mc 1:35). Depois de pensar e orar, você acha que Deus quer que você passe algum tempo com ele todas as manhãs, bem cedo. Esta seria uma aplicação apropriada e, sem dúvida, beneficiaria a sua vida espiritual.
Contudo, tomar esta aplicação e tentar aplicá-la na vida de outras pessoas seria tomar um exemplo da Bíblia e tratá-lo como se fosse uma ordem... A bíblia nos manda orar...[mas] nenhuma ordem da escritura diz que isto deve ser feito de manhã cedo, conquanto seja a hora que Jesus o fez
Regra 20
“fatos ou acontecimentos históricos se tornam símbolos de verdades espirituais, somente se as Escrituras assim os designarem”
Analisemos um pouco esta sentença: Existem exemplos que claramente reforçam doutrinas na escritura. A história Bíblica é largamente considerada tanto no Antigo quanto no Novo testamento. Entretanto, eles são divinamente revelados como doutrina. Destes casos o livro de Hebreus está repleto. Porém, excetuando-se os casos bíblicos, nós (que não temos a mesma autoridade dos apóstolos no que diz respeito à questão da inspiração da Bíblia) não podemos basear uma doutrina em exemplos.
Enrichsen mais uma vez orienta-nos.
“Paulo fez estas interpretações do Antigo Testamento sob inspiração do Espírito Santo. Ele o fez ocasionalmente e por razões específicas. Quanto a você, porém, transformar em hábito a alegorização de fatos históricos é prejudicar a interpretação literal da Bíblia, é mudar o sentido que ela pretendeu ter.
O objetivo do estudo da Bíblia é entender o sentido visado pelo autor, não despejar nas palavras dele o conteúdo que a você pertence.”
Uma vez que temos compreendido isto, analisemos um pouco o cerne desta doutrina.
Estaremos analisando alguns detalhes de um livro de referência desta doutrina: “Maldições não quebradas”– de Rebbeca Brown e Daniel Yoder.
I - O que são as maldições de família?
1 - Segundo Seus pregadores, são laços e alianças que nossos antepassados fizeram e que influenciam negativamente nossas vidas, sendo então necessária a oração como arma para vencê-la no seguinte processo:
a – Precisamos pedir a Deus que revele em qual geração está o
pecado ou pacto.
b – A pessoa deve pedir a Deus perdão pelo pecado de seu
ancestral.
c – A pessoa quebra a maldição, finalmente ordenando aos
demônios que se retirem de sua vida.
2 - Os determinantes esta doutrina
a – As maldições são fruto da companhia que um demônio faz a
uma família.
b – Todas as gerações serão amaldiçoadas se não a
quebrarmos.
c – Todos pagarão pelo pecado de um só.
Em seu livro supra citado, Rebbeca Brown deseja mostrar que as pessoas são amaldiçoadas e assim permanecem porque falta-lhes o conhecimento.
Note que esta sua definição de conhecimento tem a mesma conotação da Ciência cristã: princípios os quais precisamos manipular a fim de controlarmos esta vida. É a mesma ênfase que os Gnósticos dos tempos de Paulo colocavam no conhecimento. Por isso diz:
Por que então cristãos ainda são atingidos e afligidos por maldições? A resposta é: por sua ignorância. Não se pode lutar numa batalha que não se vê ou que não se sabe que existe. Não se pode vencer um inimigo quando nem mesmo se sabe que ele o está atacando .
Veja que a argumentação é muito clara, lógica e por isso de fácil assimilação.Contudo, está teologicamente equivocada.
Segundo suas palavras, ser bem sucedido ou mal sucedido na vida é uma questão espiritual e não física. Sermos vitoriosos, segundo sua opinião claramente esboçada, é uma questão de sabermos lutar contra Satanás e não de dependermos da Graça de Deus.
Em seguida, cita alguns versos, na tentativa de provar a necessidade do conhecimento para sermos livres das maldições.
(OS 4:6) "O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos."
(IS 5:13,14) "Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede. Portanto o inferno grandemente se alargou, e se abriu a sua boca desmesuradamente; e para lá descerão o seu esplendor, e a sua multidão, e a sua pompa, e os que entre eles se alegram."
(EC 7:12) "Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor."
Estes versos estão mal aplicados pelas seguintes razões:
1 – O povo foi para o cativeiro, não porque estava sob maldição do diabo, mas porque desprezaram a Deus.
2 - Conhecer a Deus é conhecer a pessoa e não os mecanismos e processos que fazem a vida funcionar.
A expressão “O povo perece por falta de conhecimento” não alude ao conhecimento da batalha, conforme afirma Rebbeca, mas a ausência de relacionamento com a pessoa de Deus, e por conseqüência a desobediência idólatra. A ausência de relacionamento sempre leva a rebeldia e desobediência aos mandamentos do Senhor, razão pela qual o povo é mandado para o cativeiro.
(JR 6:19) "Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio frut
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